Bloomberg — O candidato à presidência Flávio Bolsonaro escolheu o deputado conservador Alfredo Gaspar como seu vice para as eleições de outubro, em uma tentativa de dar um novo rumo à campanha após um início conturbado que o deixou sem suas primeiras opções para o posto.
A escolha surpreendente de um parlamentar pouco conhecido representa uma mudança de estratégia para Bolsonaro, que havia prometido indicar uma mulher como candidata a vice-presidente como forma de ampliar seu apoio entre o eleitorado feminino.
Com Gaspar, porém, o presidenciável do PL espera encontrar uma forma de recolocar o debate em um terreno mais favorável, após meses de turbulência desencadeada pelas revelações que começaram a surgir em maio de que ele teria buscado recursos junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Gaspar é de Alagoas, região historicamente dominada por Lula. Procurador de Justiça e ex-secretário estadual de Segurança Pública, ele foi relator na CPMI do INSS, um caso que colocou sob escrutínio um dos filhos de Lula e seu ex-chefe de gabinete no Palácio do Planalto que recentemente deixou o cargo para coordenar a campanha presidencial do PT.
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Flávio anunciou a escolha em um evento em Brasília, na quarta-feira (5). Ao seu lado, Gaspar afirmou que concentrará sua atuação no combate à corrupção e ao crime organizado, dois temas que figuram entre as principais preocupações dos eleitores e que Flávio tenta explorar como bandeiras centrais de sua campanha.
Ainda assim, o dólar reduziu a baixa após o anúncio, indicando que os investidores interpretaram a escolha como um sinal de fragilidade, depois de semanas de incerteza sobre quem ocuparia a vaga de vice.
“A tentativa dele foi associar um candidato do Nordeste e alguém que teria uma imagem forte de combate ao crime. No entanto, o que ficou claro foi a dificuldade de encontrar alguém com maior envergadura política fora do núcleo Bolsonaro”, disse Ricardo Campos, CEO na Reach Capital.
Chapa incomum
A escolha de Gaspar significa que a chapa de Bolsonaro será composta exclusivamente por integrantes do PL, algo raro nas disputas presidenciais e resultado de sua incapacidade de consolidar alianças com outros partidos.
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Anteriormente, ele havia oferecido o posto à senadora Tereza Cristina Dias, parlamentar ligada ao agronegócio, mas seu partido, o Progressistas, decidiu manter a neutralidade na disputa presidencial, inviabilizando a indicação. Na terça-feira, o Republicanos também decidiu permanecer neutro, impedindo que a principal assessora econômica da campanha, Daniella Marques, assumisse a candidatura a vice.
Com isso, Flávio ficou com poucas alternativas fora de seu próprio partido, o que pode limitar a capacidade da chapa de conquistar eleitores moderados além de sua base conservadora tradicional.
Flávio perdeu força nas pesquisas desde maio, quando áudios vazados o ligaram a Daniel Vorcaro, investigado naquilo que as autoridades classificam como a maior fraude bancária da história do Brasil.
No fim de julho, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar esses vínculos. Paralelamente, Flávio negou acusações de que seu escritório de advocacia teria recebido recursos de um consultor ligado ao Banco Master.
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Flávio nega qualquer irregularidade. Ainda assim, as ligações enfraqueceram sua tentativa de usar o combate à corrupção e ao crime organizado como principal contraste em relação a Lula, que chegou a cumprir quase dois anos de prisão por condenações posteriormente anuladas.
Flávio também destacou a atuação de Gaspar nas investigações sobre o INSS, após uma apuração revelar que descontos não autorizados em benefícios previdenciários causaram prejuízos de bilhões de reais a aposentados e pensionistas nos últimos anos.
A Polícia Federal investiga se Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente, teria sido sócio oculto de uma lobista acusada de facilitar descontos irregulares em aposentadorias. Conhecido como Lulinha, ele nega qualquer irregularidade relacionada ao caso.
Lula não é alvo de acusações de conduta imprópria e afirmou que seu filho deve ser investigado caso tenha participado de qualquer ilegalidade.
Ainda assim, integrantes de sua campanha avaliam que o caso representa um risco político. Na quarta-feira, um assessor próximo ao presidente Lula deixou a campanha, segundo a imprensa local, após reportagens o relacionarem a uma pessoa investigadas no caso.
Os brasileiros irão às urnas no primeiro turno em 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta dos votos válidos, um segundo turno deverá ser realizado três semanas depois.
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