Opinión - Bloomberg

Por que levar data centers para o espaço é uma ideia maluca, mas pode dar certo

Com o aumento dos custos e a escassez de recursos para data centers na Terra, empreendedores como Jeff Bezos e Elon Musk estão considerando a ideia de construir data centers em satélites na órbita terrestre baixa, utilizando energia solar

Transferir o processo para o espaço poderia (teoricamente) eliminar problemas dos data centers atuais (AP Photo/Eric Gay)
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Opinion — Por que não construí-los no espaço?

À medida que os data centers enfrentam custos crescentes, recursos escassos e oposição política cada vez maior, vários empreendedores — Jeff Bezos, Elon Musk, Eric Schmidt — levantaram a possibilidade de processar e armazenar dados a bordo de satélites em órbita terrestre baixa, utilizando grandes painéis solares para geração de energia. É uma ideia maluca, mas que vale muito a pena apoiar.

Os data centers são um elemento essencial da economia digital, impulsionando tudo, desde a computação em nuvem até a inteligência artificial. O problema é que eles também exigem muito espaço, energia e água.

Construí-los muitas vezes envolve lidar com um emaranhado de regras de licenciamento, litígios e protestos ocasionais, e pode custar bilhões. Alguns políticos estão pedindo moratórias ou até mesmo uma proibição total.

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Transferir o processo para o espaço poderia (teoricamente) eliminar esses problemas. Até certo ponto, isso já está acontecendo.


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No ano passado, a Starcloud colocou em órbita uma unidade de processamento da Nvidia (NVDA). A Axiom Space lançou dois nós de data center em janeiro, que, segundo a empresa, “estabelecerão as bases para a computação em nuvem espacial”.

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Tanto a Blue Origin quanto a SpaceX planejam enormes constelações de unidades de processamento de dados. As propostas do setor preveem colocar centenas de milhares de satélites em órbita nas próximas décadas.

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Deixando de lado os obstáculos práticos, isso poderia trazer muitos benefícios. Os data centers espaciais não precisarão superar restrições de zoneamento, garantir direitos de passagem ou aguardar conexões com a rede de serviços públicos.

Os projetos modulares podem facilitar sua expansão. No vácuo do espaço, eles não consumirão água, não gerarão ruído nem causarão transtornos aos governos municipais. Nem ninguém reclamará de sua aparência feia.

A energia poderia ser um benefício ainda maior. Estima-se que os data centers sejam responsáveis por quase metade do crescimento da demanda por eletricidade nos EUA até 2030, agravando os gargalos e sobrecarregando a rede elétrica.

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No espaço, por outro lado, a energia é abundante. Em órbitas favoráveis, os satélites podem acessar energia solar de alta intensidade quase continuamente, evitando as condições climáticas e a atenuação atmosférica. Como resultado, um determinado conjunto de painéis no espaço poderia gerar cinco vezes mais energia do que seu equivalente terrestre, de acordo com uma análise do setor.

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O mais intrigante é que os data centers orbitais — que exigirão entregas repetidas de hardware, matrizes e assim por diante — poderiam criar uma demanda sustentada por lançamentos de foguetes de carga pesada. Isso poderia estimular a inovação de processos, a produção em massa e a padronização, reduzindo assim os custos.

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Um estudo realizado por pesquisadores do Google constatou que (para simplificar um pouco) 180 lançamentos do foguete Starship da SpaceX por ano, considerando a taxa de aprendizado estimada pela empresa, poderiam reduzir os preços de lançamento para até US$ 200 por quilograma ao longo de uma década; isso não só ajudaria a tornar os data centers espaciais competitivos em termos de custo, mas também abriria, potencialmente, novas e vastas oportunidades em órbita, tanto científicas quanto comerciais.

Dito isso, os riscos são muitos. O resfriamento desses sistemas exigirá radiadores para dispersar o calor no espaço, um processo ainda não comprovado nessa escala. A radiação pode degradar os chips ou causar interrupções nos dados.

Centenas de satélites podem ser necessários para igualar a produção de um único grande data center — além de outros para manutenção e reparos — o que pode gerar congestionamento, colisões e detritos. Seja como for, a viabilidade econômica dos lançamentos será um desafio.

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Em resumo, os data centers orbitais podem se revelar um empreendimento comercial completamente irracional. Isso não é motivo para se opor a eles. Em vez disso, os formuladores de políticas devem se concentrar na construção da infraestrutura para apoiar os lançamentos espaciais de forma mais ampla — medidas que seriam produtivas mesmo que os data centers orbitais não deem certo, e ainda mais se derem.

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Um exemplo é que as agências federais deveriam colaborar com empresas de processamento orbital em tarefas como o monitoramento de detritos espaciais ou a filtragem de imagens de observação da Terra. Se o processamento no espaço puder reduzir os tempos de transmissão e acelerar as análises, tanto o setor público quanto o privado sairão ganhando.

Da mesma forma, um esforço conjunto para ampliar a capacidade dos espaçoportos, reduzir a burocracia para lançamentos e financiar pesquisa e desenvolvimento de tecnologias relevantes — como radiadores leves, links ópticos a laser ou montagem robótica — poderia trazer imensos benefícios para a economia espacial como um todo, sem falar na ciência terrestre.

Seja qual for o destino dos data centers, tais medidas apenas acelerarão a exploração espacial e a inovação americanas. Há pouco a perder e um universo a ganhar.

Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

O Conselho Editorial publica as opiniões dos editores sobre uma série de assuntos de interesse global.

—Editores: Timothy Lavin, Nisid Hajari.

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