EUA e Irã avançam em acordo para reabrir Ormuz; Trump diz que não tem pressa

EUA afirmam que acordo para reabrir Ormuz está próximo, mas impasses sobre enriquecimento de urânio seguem sem solução

Presidente americano sinalizou progresso nas conversas com o Irã, enquanto Teerã minimizou o otimismo dos EUA
Por Kevin Whitelaw

Bloomberg — Os Estados Unidos e o Irã estão perto de fechar um acordo que reabriria o Estreito de Ormuz, disseram neste domingo autoridades graduadas do governo americano, enquanto o presidente Donald Trump afirmou que não vai “se apressar” para concluir um entendimento.

As autoridades dos EUA disseram a jornalistas que nada está pronto para ser assinado neste domingo, enquanto os dois lados negociam a redação exata de pontos-chave, e que pode levar vários dias até que ambos obtenham aprovação final.

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Incentivados por vários líderes árabes, EUA e Irã discutem uma possível extensão de um cessar-fogo frágil, mas os dois lados têm apresentado descrições diferentes sobre o que incluiria um acordo provisório. Nas últimas semanas, foram propostas diversas versões de acordo que acabaram não sendo concluídas.

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“Nosso relacionamento com o Irã está se tornando muito mais profissional e produtivo”, escreveu Trump neste domingo em uma publicação nas redes sociais. “Eles precisam entender, no entanto, que não podem desenvolver nem obter uma arma ou bomba nuclear.” Ele acrescentou que o bloqueio americano ao estreito permanecerá em vigor até que um acordo seja concluído e que ambos os lados precisam de tempo para “fazer isso da maneira certa”.

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Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que pode haver “alguma boa notícia” sobre Ormuz nas próximas horas, enquanto Irã e Washington avançam nas negociações de paz.

Ainda assim, o acordo amplo descrito por autoridades americanas não trata do estoque de mísseis do Irã nem contém uma proibição explícita ao enriquecimento de urânio — dois dos principais objetivos de Trump. Isso pode provocar reação negativa entre republicanos da ala de segurança nacional, que já criticaram as negociações.

A imprensa iraniana e autoridades do país também adotaram um tom mais cauteloso. Washington e Teerã ainda divergem sobre “uma ou duas cláusulas”, informou a agência semioficial Tasnim, citando uma “fonte informada”. Já a agência Fars classificou como “longe da realidade” a afirmação de Trump, feita no sábado, de que um acordo estava “em grande parte negociado”, sem citar fontes.

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O programa nuclear iraniano segue como principal ponto de impasse, incluindo a insistência de Teerã de que não busca desenvolver armas nucleares.

“Estamos prontos para assegurar ao mundo, em qualquer negociação, que não estamos buscando armas nucleares”, disse o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, segundo a Student News Network neste domingo. Ele acrescentou que o Irã “não busca instabilidade na região”.

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Os EUA planejam suspender o bloqueio como parte do acordo, e o Irã também concordou, em princípio, em se desfazer de seu urânio altamente enriquecido, disse uma autoridade do governo Trump a jornalistas. Segundo ela, Washington não pretende desbloquear ativos iranianos congelados como parte do acordo atualmente em negociação. As autoridades também reiteraram a posição do governo Trump de que qualquer sistema de pedágio imposto pelo Irã para o trânsito por Ormuz é inaceitável.

Qualquer alívio em sanções dependerá do grau de cumprimento, por Teerã, das cláusulas do acordo, disseram as autoridades, acrescentando que o cronograma para o descarte do urânio altamente enriquecido e uma moratória sobre enriquecimento ainda será negociado.

Segundo os funcionários americanos, espera-se um compromisso substancial do Irã de abandonar o enriquecimento de urânio em qualquer acordo final. Eles afirmaram acreditar que os EUA podem negociar um mecanismo executável que garanta que o Irã não terá armas nucleares e leve a uma relação bilateral mais produtiva. Em negociações anteriores, Washington buscou uma moratória de 20 anos sobre o enriquecimento.

O Irã não confirmou nenhum desses detalhes e deixou claro que pretende preservar seu estoque de urânio.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em publicação no X que conversou com Trump sobre as negociações entre EUA e Irã e reiterou que a ameaça nuclear iraniana precisa ser eliminada em qualquer acordo final.

“O presidente Trump também reafirmou o direito de Israel de se defender contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano”, escreveu.

No sábado, Trump afirmou que um acordo para começar a encerrar a guerra entre EUA, Israel e Irã estava próximo de ser concluído e que o Estreito de Ormuz poderia ser reaberto. Mas ele também enfrentava forte pressão de aliados políticos que defendem a retomada da campanha militar.

O presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, Roger Wicker, escreveu nas redes sociais antes da publicação de Trump no sábado que um novo cessar-fogo “seria um desastre. Tudo o que foi conquistado pela Operação Epic Fury teria sido em vão!”

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O Axios informou que o pacto envolveria uma extensão de 60 dias do cessar-fogo atual, período durante o qual o estreito seria reaberto e o Irã poderia voltar a vender petróleo.

O rascunho também prevê o fim paralelo da guerra entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano — medida que Israel pode relutar em aceitar.

Vários republicanos compararam negativamente o acordo em discussão ao pacto nuclear firmado em 2015 entre o governo Barack Obama e o Irã. Trump rejeitou essa comparação neste domingo.

“Aquilo foi um caminho direto para o Irã desenvolver uma arma nuclear”, escreveu sobre o acordo de 2015. “Não é o caso da negociação atualmente conduzida pelo governo Trump com o Irã — é exatamente o oposto.”

--Com a ajuda de Eric Martin e Arsalan Shahla.

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