Daniel Stieler renuncia ao comando do conselho da Vale após pressão da Previ

Executivo deixa o cargo com efeito imediato após a Previ, dona de 7% da mineradora, pedir uma assembleia extraordinária para destituí-lo; a Vale ainda não informou se nomeará um presidente interino antes da votação de 22 de julho

Renúncia do executivo abre disputa pelo comando do conselho da mineradora
Por Mariana Durao
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Bloomberg — O presidente do conselho da Vale, Daniel Stieler, está deixando o cargo após um dos maiores investidores da empresa ter pressionado por uma reformulação na liderança da maior produtora mundial de minério de ferro.

Stieler ocupava o cargo há três anos, com mandato previsto para expirar em abril de 2027. Sua renúncia entrou em vigor imediatamente. A Vale agradeceu-lhe por seus serviços em um comunicado divulgado na segunda-feira.

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As tensões na diretoria da Vale se intensificaram no mês passado depois que a Previ, o fundo de pensão que detém uma participação de 7% na mineradora, solicitou uma votação extraordinária para destituir o presidente do conselho.


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Ainda não está claro se a diretoria da mineradora nomeará um presidente interino para ocupar o cargo até a assembleia de acionistas de 22 de julho. Um documento apresentado às autoridades regulatórias não forneceu detalhes sobre os termos da renúncia de Stieler.

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Stieler, que liderou a Previ durante o mandato do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, viu sua influência diminuir desde que a liderança do fundo passou por uma reorganização nos últimos meses.

Leia também: Previ abandona disputa por comando da Vale e defende independência, segundo diretora

A Previ administra as poupanças de aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil, instituição financeira controlada pelo Estado.

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O fundo de pensão propôs Manuel Lino Oliveira, conhecido como Ollie, como substituto de Stieler, argumentando que ter um membro independente do conselho no cargo ajudaria a melhorar a governança corporativa e promoveria um processo eleitoral “mais transparente e imparcial” no próximo ano.

A proposta da Previ encontrou oposição de nove dos 13 conselheiros da Vale. Quanto a Stieler, ele afirmou ao conselho que “um pedido de destituição de um presidente do conselho que não seja respaldado pelos fatos pode constituir um possível abuso de autoridade”, de acordo com a ata da reunião do conselho.

Stieler concordou em renunciar após negociações que incluíram um pacote financeiro, conforme noticiado anteriormente pelo Valor Econômico.

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Além de Ollie, o vice-presidente Marcelo Gasparino é candidato ao cargo de presidente na votação extraordinária.

Enquanto isso, a ex-executiva da BP Plc Ieda Gomes Yell, indicada pelo conselho, disputará com José Mauricio Pereira Coelho, apoiado pela Previ, uma vaga no conselho.

Leia também: Vale vê demanda por metais robusta apesar do conflito com o Irã, diz CEO

O mais recente conflito na liderança do conselho da Vale não é sua primeira batalha de governança nos últimos anos. Em 2024, a empresa passou por um processo de sucessão conturbado que culminou na escolha de Gustavo Pimenta como CEO.

A turbulência incluiu interferência do governo e a renúncia de dois conselheiros.

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