Bloomberg Línea — A Prosus, controladora do iFood e da Decolar no Brasil, encerrou o ano fiscal de 2026 com resultados que marcam uma virada na estratégia da empresa.
O lucro operacional ajustado (Ebitda) do ecossistema foi de US$ 1,3 bilhão, alta de 84% em relação ao ano anterior, enquanto a receita total foi de US$ 9,7 bilhões. O free cash flow atingiu US$ 1,5 bilhão, recorde histórico da companhia.
Sob o comando do CEO brasileiro Fabricio Bloisi, que assumiu o posto em abril de 2024, a empresa acelerou a transformação de uma holding de participações em um ecossistema integrado de comércio digital — com entrega, finanças e experiências operando de forma conectada na América Latina, Europa e Índia.
Todos os três ecossistemas regionais encerraram o ano no azul pela primeira vez.
“Dezoito meses atrás, isso era uma visão. Hoje o ecossistema integrado é uma realidade, e está escalando rápido”, afirmou Bloisi em comunicado aos investidores.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
As novas fronteiras do iFood
Em meio à guerra no mercado de delivery brasileiro, na disputa com 99Food e Keeta, o iFood foi o maior contribuinte individual de receita de todo o grupo e também o principal vetor de crescimento da região.
A receita consolidada da empresa avançou 40% em dólares (28% em moeda local, excluindo aquisições), chegando a US$ 1,87 bilhão no ano fiscal. O Ebitda subiu 56% para US$ 400 milhões, com margem de 21%.
Leia também: Da cobertura 4G ao processamento de dados: a estratégia da TIM para crescer no agro
O desempenho vai além do core de entrega de comida, que cresceu pedidos em 8% e GMV em 17%. O programa de fidelidade Clube iFood respondeu por 45% do volume total de entregas em março. Novas categorias — como farmácias, mercados e conveniência — ampliaram receita em 34% em moeda local.
O iFood Pago, braço financeiro da plataforma, mais do que triplicou a receita nos últimos 12 meses. A alta foi de 219% (93% em moeda local) no período, para US$ 463 milhões e representou 25% das receitas totais do iFood.
O Ebitda da divisão passou para o positivo, em US$ 38 milhões. Segundo a Prosus, o resultado é um marco estratégico para a construção do que chama de “banco dos restaurantes”.
A integração na Decolar
Na região, onde a holding ainda conta no portfólio com a Sympla e a OLX, quem também se destacou foi a Decolar - ou Despegar nos demais países da região.
A companhia foi adquirida pela Prosus em maio de 2025 por US$ 1,7 bilhão, e tem perseguido um caminho de integração com o iFood ao longo dos últimos meses.
No ano fiscal, 21% da receita líquida B2C do Brasil vieram de clientes originados pelo ecossistema do iFood. O volume bruto de reservas cresceu 29%, totalizando US$ 5,9 bilhões.
A receita foi de US$ 804 milhões, com Ebitda de US$ 131 milhões e margem de 16%. Os pedidos avançaram 44% no período, com o Brasil crescendo acima de 40% em moeda local.
Leia também: Lindt elevou preços para compensar a alta do cacau. Agora ação tem pior tri em 17 anos
A tese do ecossistema
A Prosus descreveu o FY26 como o ano em que a companhia migrou do que chamava internamente de “Tencent Minus” — quando dependia quase exclusivamente do dividendo da gigante chinesa para sustentar as operações — para o
“Prosus Plus”, com o ecossistema próprio gerando caixa de forma independente. O free cash flow excluindo Tencent atingiu US$ 275 milhões, uma melhora de US$ 1,4 bilhão em três anos.
A companhia também anunciou um aumento de 40% no dividendo anual, para 28 centavos de euro por ação, e informou que o programa de recompra de ações — que já devolveu US$ 46 bilhões aos acionistas desde 2022, o maior entre empresas de tecnologia globalmente — continuará em FY27 com volume estimado de US$ 5 bilhões.
Para o próximo ano fiscal, a Prosus sinalizou investimentos adicionais no iFood e na Just Eat Takeaway.com, plataforma europeia adquirida em outubro de 2025 e ainda em fase de reestruturação operacional.
Leia também
Prosus vende fatia de 5% da Delivery Hero para Aspex por € 335 milhões









