MBRF vê exportações para China, UE e Oriente Médio compensarem ciclo nos EUA

Operação da companhia somou R$ 111 milhões em lucro no primeiro trimestre, alta de 26,8% em relação a um ano antes, impulsionada pelo avanço em mercados externos enquanto o negócio bovino nos EUA permaneceu pressionado pelo ciclo pecuário; ‘O primeiro trimestre foi difícil’, disse Tim Klein, CEO da National Beef, em coletiva de resultados

Produtos da MBRF em mercado em Riad, capital da Arábia Saudita

Bloomberg Línea — A MBRF (MRFG3), empresa resultante da fusão entre a BRF e a Marfrig, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 111 milhões, avanço de 26,8% na comparação anual.

O vice-presidente financeiro da empresa, José Ignácio Scoseria, atribuiu o resultado ao avanço das exportações de carnes bovina e de frango, à retomada de embarques para mercados como China e União Europeia e ao aumento de eficiência operacional em meio a um cenário ainda pressionado pelo ciclo pecuário nos Estados Unidos.

PUBLICIDADE

“A exportação foi uma âncora importante para a rentabilidade da operação”, disse Scoseria durante coletiva de resultados com jornalistas nesta quinta-feira (14).

Assine as newsletters da Bloomberg Líneae receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A receita líquida da companhia para o período ficou praticamente estável em R$ 39,5 bilhões e o Ebitda ajustado somou R$ 3,09 bilhões, com margem de 7,8%.

PUBLICIDADE

Além disso, 46% da receita consolidada da companhia foi oriunda da operação na América do Norte, sob o guarda-chuva da National Beef, 16% da operação da América do Sul e 38% da BRF.

Operação americana sob pressão

A operação da National Beef, nos Estados Unidos, continuou pressionada pelo ciclo pecuário americano, marcado pela menor oferta histórica de gado e preços elevados da matéria-prima.

“O primeiro trimestre foi difícil”, disse Tim Klein, CEO da National Beef, durante a coletiva de resultados.

PUBLICIDADE

Klein explica que os preços elevados do gado não foram totalmente compensados pela demanda forte no mercado americano.

Leia também: Brasil é excluído de lista da UE para exportação de carne e produtos de origem animal

Segundo os executivos, há sinais “iniciais” de melhora nas condições do mercado americano de carne bovina, embora o cenário ainda siga pressionado pela baixa oferta de gado.

PUBLICIDADE

Para Scoseria, o desempenho da operação na América do Sul foi sustentado pelo avanço das exportações. O volume destinado ao mercado externo cresceu 28% na comparação anual, enquanto o mercado interno teve leve retração.

A retração da demanda no mercado interno já era esperado pela companhia diante do ‘efeito sazonal’ do período, após a demanda elevada de fim de ano e em meio à desaceleração do consumo das famílias no início do calendário fiscal.

Oriente Médio

Scoseria também destacou a retomada dos embarques para China e União Europeia, além do aumento das vendas para o Oriente Médio durante o Ramadã.

“Estamos vendo um cenário de demanda muito forte, principalmente para China, União Europeia e Oriente Médio”, afirmou.

Segundo a companhia, a participação da MBRF nas exportações para os países do Golfo aumentou 12 pontos percentuais entre fevereiro e março.

A companhia também informou que atingiu, em março, recorde de exportações diretas de aves e suínos, movimento sustentado pela reabertura de mercados na Ásia e na Europa.

O Oriente Médio segue como uma das principais apostas de crescimento internacional da companhia mesmo diante da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Segundo Miguel Goulart, a MBRF manteve os embarques normalmente após o início da guerra e redirecionou navios para portos alternativos para evitar interrupções logísticas.

Leia também: Do chão de fábrica à Sadia Halal: a liderança de Marquinhos Molina no Oriente Médio

De acordo com o executivo, a companhia utilizou sua estrutura de distribuição regional para abastecer clientes por rotas terrestres após a chegada dos produtos a portos fora da área afetada pelo bloqueio marítimo.

“Conseguimos chegar a todos os clientes em todas as geografias do Oriente Médio sem nenhuma ruptura”, disse Goulart.

O executivo explicou que a estratégia foi facilitada pela decisão tomada pela companhia em 2024 de ampliar estoques nos países de destino, e não no Brasil, após os episódios sanitários envolvendo a doença de Newcastle.

A companhia informou que a operação na região encerrou o trimestre com margem Ebitda ajustada recorde de 15,6%, beneficiada pelo aumento da demanda durante o Ramadã e pelo fortalecimento da presença regional da marca Sadia.

Durante a coletiva, os executivos destacaram a conclusão em maio deste ano do acordo que resultou na Sadia Halal, joint venture voltada ao mercado islâmico, anunciada como peça central da estratégia global da MBRF — a expectativa é que o IPO da nova companhia aconteça em Riad, capital da Arábia Saudita, a partir de 2027.

Restrições

Além disso, os executivos também falaram sobre a restrição da União Europeia às exportações brasileiras de carne e produtos animal.

Goulart disse que a decisão do bloco está ligada a exigências adicionais de certificação e validação de processos sanitários, e não a uma suspensão imediata dos embarques.

A avaliação da companhia é que o tema pode ser revertido nos próximos meses. “O Brasil cumpre todos os requisitos hoje para exportar para a União Europeia”, afirmou Fábio Stumpf, vice-presidente de agro e qualidade da companhia.

A MBRF também reforçou que segue avançando na integração entre Marfrig e BRF. A companhia informou ter capturado R$ 126 milhões em sinergias no trimestre — mais de 20% da meta prevista para 2026 — além de R$ 296 milhões adicionais em ganhos de eficiência operacional.

Leia também

Natal da proteína: MBRF acelera sinergias para ampliar ‘market share’ no Brasil

GTF, de frango e alimentos, planeja mais que dobrar a receita para R$ 10 bi, diz CEO