Bloomberg — O resultado surpreendente da eleição presidencial brasileira causou decepção aos líderes do agronegócio. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza desafios contínuos para a relação do governo com uma das forças econômicas mais importantes do país.
O poderoso ‘lobby’ agrícola brasileiro vinha apoiando abertamente o opositor de direita Flávio Bolsonaro, com o grupo de legisladores dedicados à causa do setor esperando se aproximar do poder executivo se ele vencesse. A reeleição de Lula mantém o grupo firmemente na oposição.
“A voz de vocês não será calada”, disse a senadora Teresa Cristina, uma das integrantes mais proeminentes da bancada ruralista. “Estaremos lá para fiscalizar esse governo e lutar pelo país que queremos”, disse ela em uma publicação nas redes sociais, destacando o forte desempenho dos legisladores apoiados pelo setor agrícola nas eleições para o Congresso.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
“Foi uma belíssima campanha e não podemos desanimar. Rodamos os Estados pedindo voto para nosso candidato, Flávio Bolsonaro, por acreditar no projeto dele para o nosso país. E eu vi como vocês também acreditaram e queriam a mudança. Muito obrigada por terem nos recebido”, escreveu Tereza Cristina.
A Frente Parlamentar da Agropecuária frequentemente critica Lula por diferenciar pequenos agricultores de grandes produtores comerciais.
As tensões com Lula também refletem diferenças ideológicas e políticas sobre direitos fundiários, regulamentação ambiental, impostos e apoio governamental à agricultura, incluindo crédito agrícola e seguro agrícola. O grupo esperava que Flávio agisse rapidamente para reduzir as taxas de juros, fortalecendo as finanças públicas e cortando gastos.
A expectativa é que o grupo parlamentar se concentre em medidas para aliviar a situação dos agricultores em dificuldades, disse Arnaldo Jardim, outro membro influente do grupo, à margem de uma conferência em São Paulo na segunda-feira (26). Uma medida provisória assinada por Lula para atender às preocupações dos agricultores foi considerada insuficiente e a previsão é que ela expire em aproximadamente um mês.
Leia também: Lobby do agro busca elevar influência sobre o Executivo caso Flávio vença a eleição
Mas Jardim e outros líderes também buscavam seguir em frente após uma campanha tensa e marcada por divisões.
“Passadas as eleições, precisamos nos concentrar nos desafios do agro”, disse Jardim. “A frente parlamentar vai dialogar com o Congresso e o Poder Executivo para defender os interesses do setor.”
O presidente-executivo do grupo sucroalcooleiro Unica Evandro Gussi afirmou que as políticas públicas para o setor não dependem de mudanças governamentais, enquanto a Associação Brasileira do Agronegócio pediu uma liderança “capaz de ajudar a amenizar as divisões no país”.
Veja mais em bloomberg.com
©2026 Bloomberg L.P.








