Bloomberg — Uma violação de segurança na Binance envolvendo até US$ 6,3 bilhões se tornou o maior ataque cibernético já registrado no setor de criptomoedas, levantando novas questões sobre a capacidade do setor de proteger ativos digitais, em um momento em que busca atrair o setor financeiro tradicional.
O incidente na maior corretora de criptomoedas do mundo destaca como as vulnerabilidades podem se estender até mesmo aos maiores participantes do mercado.
“Este é o maior roubo cibernético já registrado, não apenas o maior no setor de criptomoedas”, afirmou Aneirin Flynn, diretor executivo da empresa de tecnologia de segurança cibernética FailSafe.
“Isso prejudicará a confiança nas criptomoedas. O setor está buscando atrair capital institucional, mas as instituições não ignorarão falhas repetidas em matéria de custódia e segurança.”
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Até o momento, o impacto total está em cerca de US$ 6,3 bilhões, informou a Binance em uma publicação no X na sexta-feira (30), acrescentando que irá indenizar todas as perdas. A Binance suspendeu temporariamente os saques na corretora.
Série de ataques
O ataque cibernético dá continuidade a uma série de violações onerosas em todo o setor de criptomoedas.
Em fevereiro de 2025, a Bybit, com sede em Dubai, sofreu um roubo de US$ 1,5 bilhão, na época o maior roubo isolado de criptomoedas já registrado. O FBI atribuiu a responsabilidade a hackers norte-coreanos, que dispersaram os ativos roubados por milhares de endereços em várias blockchains.
Houve vários grandes roubos nos últimos meses.
Em agosto, hackers roubaram mais de US$ 100 milhões em bitcoins de milhares de carteiras protegidas por dispositivos de hardware fabricados pela Coinkite, com sede no Canadá. O ataque explorou uma falha de software que tornava previsíveis as chaves privadas que protegiam as criptomoedas.
Em setembro, a corretora de criptomoedas Bitget informou que os invasores fugiram com cerca de US$ 388 milhões. E, em outubro, criminosos adulteraram carteiras de hardware da Ledger distribuídas por meio de um revendedor do Sudeste Asiático, com pesquisadores de blockchain estimando perdas de mais de US$ 90 milhões. A Ledger afirmou que seus próprios sistemas não foram violados.
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O mercado de previsões Polymarket suspendeu temporariamente as negociações nesta semana após um provedor terceirizado ter sido comprometido, resultando em uma perda de mais de US$ 2,5 milhões.
Os incidentes destacam a amplitude das vulnerabilidades enfrentadas pelas empresas do setor de criptomoedas, desde suas próprias carteiras e sistemas de tecnologia até cadeias de suprimentos e fornecedores externos.
Os riscos vão além das empresas nativas do setor de criptomoedas. Na Coreia do Sul, uma série de ataques cibernéticos atingiu instituições financeiras nas últimas semanas, incluindo a corretora de criptomoedas Bithumb, a Mirae Asset Global Investments e a Daishin Securities, que relataram acessos não autorizados que expuseram dados de usuários.
Essas violações levantaram questões sobre a segurança de sistemas terceirizados e de provedores de tecnologia externos, à medida que as instituições financeiras dependem cada vez mais de uma infraestrutura digital interconectada.
“Todo banco, gestor de ativos e operador de bolsa que tente colocar títulos do Tesouro, fundos ou ações na cadeia de blocos precisa escolher uma camada de liquidação e, até esta noite, ‘a maior bolsa’ era uma resposta defensável”, afirmou Luca Parlamento, fundador e diretor de investimentos da D2 Finance. “Agora, trata-se de uma decisão de crédito sem garantia.” A D2 Finance não possui nenhuma transação na Binance, afirmou Parlamento.
Pontos de falha
A investigação inicial sugere que o incidente de segurança pode envolver o laptop comprometido de um engenheiro, informou a Binance em sua publicação.
De acordo com a empresa de análise de blockchain TRM Labs, a Coreia do Norte está por trás do ataque. A empresa afirmou que os preparativos começaram pelo menos 36 horas antes do roubo.
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“Na noite de 29 de outubro, bilhões de dólares em criptomoedas começaram a sair das carteiras pertencentes à Binance” em 10 blockchains — incluindo Bitcoin, Ethereum, Solana e XRP — e a fluir para endereços controlados por um único invasor, afirmou a TRM.
Para corretoras que mantêm bilhões de dólares em ativos de clientes, o desafio não se resume mais simplesmente a proteger chaves privadas ou manter a maior parte dos fundos em armazenamento offline. Os sistemas de carteiras envolvem cada vez mais múltiplos signatários, processos automatizados de transações, permissões de contratos inteligentes e prestadores de serviços externos.
“A lição para um alocador não é que as criptomoedas sejam arriscadas. É que o saldo em uma corretora é um empréstimo sem garantia a uma empresa que pode perder suas chaves”, afirmou Parlamento.
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