Unico transforma selfie em identidade global, aumenta produtividade com IA e reduz time

Com patente depositada nos EUA, tecnologia gera um número único a partir da selfie e sustenta a meta de a empresa virar infraestrutura global de identidade em até 18 meses; a reorganização inclui desligamento de 25% o quadro de funcionários

O lançamento do Human Token acontece simultaneamente em todos os mercados, e a solução já opera no Brasil, México, China, Nigéria, Filipinas e Indonésia. O primeiro cliente argentino entra no ar até o fim desta semana.
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Bloomberg Línea — A Unico, empresa brasileira de verificação de identidade, anunciou nesta quinta-feira, 29, o Human Token, tecnologia patenteada nos Estados Unidos que transforma a selfie em um número único e persistente. Ao mesmo tempo, reduz em 25% o quadro de funcionários. Os dois movimentos combinam a simplificação do produto com os ganhos de produtividade obtidos com inteligência artificial.

Durante anos, cada país em que a companhia entrava era um negócio à parte, com integração a documentos locais, adaptação à legislação, conexão com bases públicas e tabela de preços própria. Agora, a Unico passa a vender o mesmo produto, com a mesma resposta e o mesmo preço, em qualquer lugar do mundo.

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O lançamento acontece simultaneamente em todos os mercados, e a solução já opera no Brasil, México, China, Nigéria, Filipinas e Indonésia. O primeiro cliente argentino entra no ar até o fim desta semana.

“Um cliente integra uma única vez ao nosso produto e tem a resposta de identidade em todos os países em que opera”, afirmou Luis Felipe Monteiro, CEO para a América Latina da Unico, em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.


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Para a IDTech, que atua em mais de 20 países e 23 setores, a mudança é de natureza: a operação deixa de depender de trabalho local e passa a se apoiar em uma tecnologia única, que, nas palavras do executivo, “praticamente não precisa de pessoas operando o produto”.

A conta dessa transformação aparece no quadro de pessoal. A Unico consolida em uma só plataforma, a Human Platform, tecnologias desenvolvidas em diferentes mercados ao longo de anos de aquisições, revisa o portfólio para concentrar investimentos nas que têm maior potencial de escala global e corta 25% da equipe.

A reestruturação é global e inclui a América Latina. Com cerca de 700 pessoas hoje, a conta indica um corte da ordem de 175 vagas. A startup afirma que oferecerá pacotes de desligamento, extensão de benefícios e apoio à recolocação, e que os clientes atuais no Brasil continuarão sendo atendidos normalmente.

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Segundo Monteiro, o uso de IA na engenharia multiplicou por quatro a produtividade do time de tecnologia, e o investimento em inteligência artificial já equivale a 30% da folha de pagamento. “Com a eficiência que ganhamos com a simplificação do produto e com a produtividade que obtivemos com o uso de IA, entendemos que este é o momento ideal para reduzir a complexidade da empresa, e isso também reduz o tamanho do quadro”, disse.

O quadro de pessoal vem diminuindo em etapas na startup. Há três anos, a Unico tinha cerca de 1.400 funcionários. O novo corte deixa a startup com, basicamente, um terço do time, comparando os períodos. “Nós tivemos vários momentos em que simplificamos a empresa, ganhando eficiência e reduzindo o time necessário. Está dentro da estratégia que conduzimos lá atrás”, afirmou.

Luiz Felipe Moreno, CEO para a América Latina da Unico: o uso de IA na engenharia multiplicou por quatro a produtividade do time de tecnologia, e o investimento em inteligência artificial já equivale a 30% da folha de pagamento

Da selfie ao número único

O novo mecanismo foi desenvolvido ao longo dos últimos anos e parte de uma premissa simples: a pessoa faz uma selfie e recebe um token, um número exclusivo que não se repete entre indivíduos e não muda com o tempo. “Se eu deixar crescer a barba, tirar os óculos, andar de boné, vai ser sempre o mesmo número”, contou Monteiro. A face passa a ser a própria identidade, sem prova documental.

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Documentos, lembra o executivo, são emitidos por terceiros, como governos, bancos e instituições, e uma mesma pessoa pode ter dezenas deles só no Brasil. Quem se muda para Portugal ganha um novo número, e cada país passa a tratá-la como alguém diferente. É nessa multiplicidade que prosperam as fraudes. Com a face como chave, ele não consegue trocar de identidade e é reconhecido como a mesma pessoa a cada tentativa.

“Antes de ter um nome e um número de CPF, você já tinha uma identidade, que é a sua identidade biométrica, só que ela não era possível de ser verificada. Agora ela é”, afirmou Monteiro.

O token dispensa nome, número de documento e data de nascimento, o que, segundo a Unico, permite identificar o indivíduo sem saber quem ele é e sem depender de grandes bases de dados biométricos. A startup vê nisso uma vantagem para operar sob diferentes legislações de privacidade. Para os clientes, a tecnologia simplifica a abertura de contas e pode substituir mecanismos como senhas de uso único (OTP) enviadas por SMS ou e-mail.

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Por que só agora

Questionado sobre as dúvidas levantadas nos últimos anos em torno da biometria facial como identificador global e da busca por outras soluções, como o caso da Tools for Humanity, que coletava dados biométricos da íris e dependia de um equipamento próprio para coletar dados, Monteiro aponta a escala como diferencial.

“Nós estamos usando a própria captura da câmera do celular, a mesma que usamos para os processos de biometria facial dos nossos atuais clientes”, disse.

A viabilidade técnica atual, segundo o executivo, vem da combinação de três fatores: o histórico de verificações biométricas acumulado pela Unico em diversos setores, que deu base para treinar modelos em escala; o avanço da capacidade de treinamento de modelos de IA; e o controle integral da tecnologia.

“É 100% tecnologia própria, desenvolvida por nós. Temos flexibilidade para mexer nos elementos mais básicos da infraestrutura e da arquitetura, o que não é verdade para todos os nossos concorrentes”, afirmou.

A IDTech processa mais de 3 bilhões de autenticações por ano, sustentadas por um motor próprio de liveness (prova de vida) e modelos avançados de IA.

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Um produto, um preço, vários canais

O novo desenho altera a precificação, a distribuição e a geografia do negócio. Até aqui, os preços variavam conforme a complexidade de cada operação nacional. Com o Human Token, a Unico adota um modelo global, mais próximo do processo feito por plataformas de tecnologia, e passa a distribuir o produto diretamente nos países em que tem presença e por meio de parceiros nos demais.

Esses parceiros podem ser empresas que desempenham em outros mercados papel semelhante ao da Unico no Brasil, o que inclui potenciais concorrentes que passam a adotar sua infraestrutura.

A mudança de sede para Menlo Park, na Califórnia, foi parte desse aprendizado. O unicórnio brasileiro quis observar de perto como empresas do Vale do Silício constroem modelos de negócio para escala global. Hoje, a Unico tem escritórios no Brasil, nos Estados Unidos, no México, na Argentina, no Cazaquistão, nos Emirados Árabes e em Portugal.

Monteiro não fixou meta de países até o fim de 2027, mas disse que o objetivo da Unico é se tornar “uma infraestrutura de identidade global” nos próximos 18 meses. A América Latina ainda responde pela maior parte da receita, e a expectativa é que a balança se equilibre rapidamente, com a receita internacional superando a da região num curto espaço de tempo.

No primeiro semestre de 2026, a receita global consolidada da Unico cresceu 41%. Fora do Brasil, a alta foi de 56%, e o volume de transações em junho foi 12 vezes maior que o de um ano antes. A startup tem carregado um histórico de crescimento sustentável de 30% a 40% ao ano.

Nos últimos três anos, a Unico investiu cerca de R$ 500 milhões na expansão internacional, entre aquisições e pesquisa e desenvolvimento do produto global.

Foram 11 compras no total, quatro delas no exterior: a mexicana Trully.AI, a Oz Forensics (Emirados Árabes), a israelense OwnID e a argentina Valida. As startups adquiridas passam a reutilizar e compartilhar recursos dentro da companhia, o que, segundo Monteiro, também gera eficiência.

A startup opera no positivo de 2024 com uma margem considerada “muito positiva”, nas palavras do CEO, e que tende a “melhorar bastante com as reestruturações”.