Fim da parceria com a Waymo pesa sobre a Uber e planos em táxis autônomos

Apesar do pessimismo no curto prazo, analistas mantêm otimismo sobre o futuro da Uber – a maioria recomenda a compra das ações, embora as projeções de lucro tenham sido reduzidas

Uber
Por Jordan Fitzgerald
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Bloomberg — O rompimento da parceria da Uber (UBER) com a Waymo, da Alphabet (GOOG), no segmento de robo taxis, paira como uma grande sombra sobre os resultados trimestrais da gigante dos serviços de transporte, à medida que os investidores ficam cada vez mais ansiosos com as ações, que ficaram aquém do desempenho geral do mercado neste ano.

Estima-se que a Uber divulgue nesta quarta-feira (5) um aumento de 13% na receita do segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Suas ações, no entanto, caíram 28% desde que atingiram a máxima histórica de US$ 100,10 em outubro, enquanto o S&P 500 subiu 15% e o Nasdaq 100, com forte presença de empresas de tecnologia, registrou alta de 19% no mesmo período, até as 14h00 de Nova York.

As ações da Uber permaneceram estáveis durante a maior parte do pregão de terça-feira (4), enquanto o mercado em geral avançava.


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Analistas e investidores afirmam que mesmo um forte desempenho nos segmentos de mobilidade e entregas não será suficiente para levar as ações de volta à sua alta recorde. A menos, é claro, que a empresa consiga demonstrar que seus esforços para oferecer táxis autônomos em sua plataforma estão ocorrendo conforme o planejado.

“Um resultado sólido no setor de mobilidade estabilizaria o sentimento do mercado, mas uma recuperação duradoura exige que a Uber enfrente de frente a questão estrutural”, disse Dave Mazza, CEO da Roundhill Financial.

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Os investidores querem provas de que a aposta da Uber na autonomia veicular ampliará seu negócio de transporte por aplicativo, acrescentou Mazza.

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“Essa prova vem dos números de implantação, não de comentários”, disse ele.

A Uber firmou parcerias com diversas empresas que trabalham com tecnologia de direção autônoma nos últimos anos, incluindo a Nuro, de capital fechado, e a Zoox, da Amazon.com (AMZN). Ainda assim, uma parceria com a Waymo, da Alphabet — amplamente considerada líder de mercado nesse setor — teve um peso especial.

Isso explica por que o mercado reagiu fortemente à notícia do rompimento do acordo. Primeiro, em junho, a Uber encerrou sua parceria de táxis-robô com a Waymo em Phoenix. Em seguida, no final de julho, a notícia de que a Waymo começou a explorar opções para sair de sua parceria exclusiva existente com a Uber no setor de táxis-robô fez com que as ações caíssem 4% naquele dia.

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Ainda é possível que as empresas cheguem a um acordo que permita à Waymo disponibilizar seus veículos tanto em seu próprio aplicativo quanto no aplicativo da Uber.

O rompimento do acordo exclusivo levou o analista da Morningstar, Mark Giarelli, a reduzir sua estimativa de valor justo das ações da Uber de US$ 85 para US$ 76 por ação, citando a crescente concorrência da Waymo, especialmente em áreas urbanas onde a Uber detém forte poder de fixação de preços.

Mazza, da Roundhill, disse que sua empresa venderia suas ações da Uber se empresas de direção autônoma como a Waymo pudessem provar que são capazes de operar e expandir sem uma rede centralizada de transporte por aplicativo.

“Até lá, os números ainda favorecem a plataforma,” disse Mazza.

A Uber, por sua vez, ainda observa “tendências muito, muito positivas” em mercados como São Francisco, onde a Waymo já atua há algum tempo, afirmou o CEO Dara Khosrowshahi durante a teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre da empresa, realizada em maio.

Enquanto isso, a frota da Waymo é composta por mais de 3.000 veículos em mais de 10 cidades dos EUA, o que representa apenas uma pequena fração das operações atuais da Uber.

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As quedas atuais nas ações da Uber ocorrem em um momento em que o mercado em geral está se tornando mais cauteloso em relação às ações de inteligência artificial em alta, com os investidores ficando receosos em relação a empresas de crescimento mais arriscadas, com uma estratégia ambiciosa, mas ainda não comprovada.

Embora a Uber não seja uma grande investidora em IA como a Alphabet — que apoia a Waymo — ou a Meta Platforms (META), e, portanto, tenha evitado o pior da reação negativa contra os gastos de capital crescentes, a empresa ainda precisa provar que é capaz de transformar suas promessas grandiosas em lucros concretos.

As ações da Uber são negociadas a cerca de 18 vezes as estimativas de lucro futuro para os próximos 12 meses, abaixo da média do S&P 500, que era de 20 no fechamento da segunda-feira (3). Para alguns, esse múltiplo moderado sugere que qualquer queda nas ações pode permanecer limitada.

Isso também explica, em parte, por que Wall Street continua extremamente otimista em relação às ações. Dos 58 analistas que cobrem a Uber, cerca de 86% recomendam a compra das ações, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Apenas um analista tem uma recomendação de venda. Os analistas não estão nem de longe tão otimistas em relação à Lyft (LYFT), com apenas cerca de um terço recomendando a compra das ações.

Apesar de estarem convencidos das perspectivas de longo prazo da Uber, os analistas estão revisando para baixo suas projeções de lucros no curto prazo. As estimativas para os lucros anuais da Uber em 2026 caíram mais de 17% em relação ao ano anterior, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“Se há algo que isso me diz, é que o mercado está se tornando mais paciente quanto ao momento do retorno, em vez de questionar o negócio em si”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, que detém ações da Uber.

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